CHUC transpõe mais uma barreira no tratamento da Insuficiência Cardíaca Avançada



Em maio de 2022 a equipa do Serviço de Cirurgia Cardiotorácica e Transplantação (CCT), liderado por David Prieto, do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) fez o primeiro transplante cardíaco na região Centro em doente portador de dispositivo de assistência ventricular (DAV) de longa duração. Trata-se de um procedimento inovador e altamente diferenciado.


A equipa de CCT descreve o percurso dum doente, o Francisco, que em agosto de 2020 chegou ao Serviço. “Chegou até nós um doente de 48 anos de idade, já avaliado noutros centros em Portugal e considerado não ter condições para ser transplantado ao coração devido a uma grave hipertensão arterial pulmonar (HTP), considerada irreversível.


O doente é reavaliado pela equipa da Unidade de Tratamento da Insuficiência Cardíaca Avançada (UTICA) do CHUC. Após cuidadosa revisão clínica e múltiplos exames é demonstrado que a HTP poderá ter alguma hipótese de reversibilidade, se submetido a uma assistência mecânica circulatória. Apesar de o seu coração direito apresentar alguma disfunção que compromete seriamente a exequibilidade e viabilidade deste procedimento, confia-se que haverá condições para implantar um dispositivo de assistência ventricular de longa duração como ponte para ser candidato futuro ao transplante.


Na altura, em plena pandemia, viviam-se tempos difíceis no CHUC e como o doente precisava de implantar o dispositivo rapidamente é enviado para um Centro com muita experiência nestes procedimentos em Barcelona (Hospital de Bellevitge) onde implantou HeartMate 3 com sucesso em Outubro de 2020.


Logo a seguir foi transferido para o CHUC e o seguimento que envolvia a cirurgia cardíaca e a cardiologia foi assegurado, desde então, por uma equipa multidisciplinar.”

Sublinhe-se que atualmente este tipo de dispositivos já são implantados no CHUC pelo Serviço de Cirurgia Cardiotorácica.


A equipa prossegue a sua explanação dando conta que “após o implante, o doente esteve sempre muito bem e cerca de seis meses depois é repetido o cateterismo direito. A hipertensão pulmonar estava quase normalizada e começavam a surgir condições para o transplante cardíaco. No entanto era preciso esperar por um coração que fosse compatível e adequado para suportar as pressões pulmonares elevadas que se iriam fazer sentir no pós-transplante.


A “crise” ou falta de dadores prolongou a espera, mas, em maio de 2022, surgiu um coração com as condições ideais para o paciente e a equipa de CCT avançou para o primeiro transplante na zona Centro em doente portador de DAV de longa duração. A cirurgia e o pós-operatório foram um sucesso e o Francisco foi transplantado e já está em casa junto da sua família onde usufrui de uma vida plena. Esta é uma história de sucesso que reflecte bem a resiliência dos doentes e a excelência desta Instituição.”


A equipa de CCT conclui que este caso é um marco importante para o CHUC pois demonstra que “a evolução da tecnologia permite viabilizar a transplantação cardíaca em situações outrora consideradas inoperáveis tornando a lista de contra-indicações ao transplante cada vez mais reduzida. É também uma prova de que o CHUC e neste caso a Unidade de Insuficiência Cardíaca Avançada e o Serviço de Cirurgia Cardiotorácica do CHUC estão na linha da frente no domínio da tecnologia e na inovação.”

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