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Artigo: Fisioterapeuta - uma profissão em constante adaptação

Os Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (TSDT) fazem parte de uma carreira que agrega dezoito profissões relacionadas com a saúde, fundamentais no SNS, na qual se insere a profissão de fisioterapeuta.


O fisioterapeuta é um profissional responsável pela análise e avaliação do movimento e da postura, baseadas na estrutura e função do corpo, tendo, por isso, um papel cada vez mais preponderante nos cuidados do utente nos serviços de saúde. Os fisioterapeutas seguem as normas de boas práticas baseadas em normas internacionais emanadas pela World Confederation of Physical Therapy (WCPT), adaptadas à realidade portuguesa.


Por altura da celebração do Dia Mundial da Fisioterapia, que se comemora a 8 de setembro, fomos falar com Ana Pinho, Coordenadora de Fisioterapia do CHUC, onde exerce a profissão há, sensivelmente, 43 anos.Para si, a fisioterapia é “parte essencial dos sistemas de saúde e envolve a interação entre o fisioterapeuta, os doentes, os outros profissionais de saúde, família, prestadores de cuidados e comunidades, num processo em que o potencial de movimento é avaliado e as metas são acordadas, através de um conjunto de competências próprias da profissão.”


Para falar da evolução da profissão de fisioterapeuta, importa contextualizar brevemente a história da fisioterapia em Portugal. “O conceito «fisioterapeuta» surgiu no início do século XX e a formação destes profissionais apareceu em 1957 através de cursos criados pela Santa Casa da Misericórdia em Lisboa, que levaram à criação da Escola de Reabilitação do Alcoitão. O primeiro curso de Fisioterapia foi ministrado por fisioterapeutas vindos dos EUA, Dinamarca e Grã-Bretanha e, mais tarde, assegurado por fisioterapeutas portugueses. A 4 de Junho de 1966 introduziu-se o título profissional do fisioterapeuta em Portugal. Anos mais tarde, em 1982, foram criadas as escolas técnicas do serviço de saúde de Lisboa, Porto e Coimbra”, explica-nos Ana Pinho.


Com o passar do tempo, assistiu-se a uma evolução da carreira. Ana Pinho esclarece que “em 1985, a denominação de técnico auxiliar dos serviços complementares foi substituída por técnico de diagnóstico e terapêutica e em 1993 procedeu-se à integração da Fisioterapia no Ensino Superior. Outro dos avanços foi verificado em 1999, em que passou a ser obrigatório o registo profissional dos titulares do Curso de Fisioterapia e mais recentemente, em dezembro de 2021, foi criada a Ordem dos Fisioterapeutas”.


Hoje, os fisioterapeutas enquanto profissionais de saúde, integrantes do SNS, intervêm na promoção da saúde e prevenção da doença, interagindo em contexto de programas interdisciplinares de forma a desenvolver, manter e restaurar o máximo de movimento e capacidade funcional ao longo da vida.


Como nos explica a fisioterapeuta Ana Pinho, “a fisioterapia não é uma área isolada. Os profissionais de fisioterapia trabalham em equipas multi e transdisciplinares. No universo CHUC, a Fisioterapia tem vindo a marcar sua posição na integração das equipas multi e transdisciplinares, surgindo o fisioterapeuta como elemento fundamental no processo de reabilitação do utente com uma autonomia organizativa e técnica.”


Ao longo da carreira, a fisioterapeuta Ana Pinho explica-nos que “tem acompanhado a evolução da sua profissão sempre com o propósito de mostrar a importância da fisioterapia e demonstrar a real necessidade e a mais-valia do fisioterapeuta como profissional de saúde para que todos os utentes possam usufruir dos melhores cuidados.” E quando lhe perguntamos como avalia o seu percurso como fisioterapeuta, diz-nos: “sempre exerci a profissão com grande resiliência e dedicação tanto para com os utentes, como para com as equipas com quem me cruzei ao longo de todos estes anos de trabalho.”


Na verdade, diz Ana Pinho, “a fisioterapia tem vindo a evoluir progressivamente, conseguindo demonstrar a sua importância no que diz respeito ao desenvolvimento de conhecimento científico.” A evidência suporta a importância da fisioterapia e da intervenção do fisioterapeuta, no entanto a nossa entrevistada considera que “há falta de reconhecimento dos fisioterapeutas, isto é, verificamos não existir, ainda, em Portugal, o devido conhecimento das potencialidades do contributo do fisioterapeuta junto das instituições.”


Ana Pinho faz notar que “importa reforçar o papel fulcral que a fisioterapia tem na recuperação física do ser humano. Na verdade, a intervenção precoce da fisioterapia, sobretudo em ambiente de internamento hospitalar permite não só potenciar uma rápida melhoria funcional e estrutural na patologia aguda, como diminuir o risco de complicações associadas ao repouso prolongado no leito, nomeadamente perda de mobilidade articular e de massa muscular.” Quanto ao papel do fisioterapeuta no contexto da abordagem multidisciplinar, refere-nos que “promove o retorno mais breve às atividades da vida diária, sendo fundamental o seu contributo na autoconfiança do utente, no menor tempo de internamento e fomenta as bases de um programa domiciliário.”


A Fisioterapia pertence a uma carreira profissional que se desenvolve em complementaridade com outros grupos funcionais da saúde. Neste âmbito, Ana Pinho refere que “a atividade dos TSDT confere desenvolvimento e cientificidade, através das diversas competências e conhecimentos científicos, em várias áreas: na promoção da saúde, na prevenção, no diagnóstico, no tratamento, na reabilitação, na reinserção, entre outros. A aposta na melhoria contínua da qualidade dos cuidados de saúde e segurança do doente, a potencialização do trabalho inter e transdisciplinar e a conjugação de saberes das diferentes áreas é uma solução desejável para melhorar as respostas em saúde. Um trabalho organizado e partilhado na cultura dos saberes e no verdadeiro conceito da multi e transdisciplinaridade vai beneficiar o utente dentro daquilo que é essencial para melhorar a sua condição de saúde e ambiente psicossocial. É também essencial existir uma boa comunicação, o que nem sempre se verifica.”


A carreira de TSDT é uma carreira pluricategorial com uma forte componente tecnológica e científica. Atualmente os profissionais de fisioterapia no CHUC deparam-se com vários desafios, dificuldades e obstáculos na sua atividade, nomeadamente falta de reconhecimento da profissão como nos explica a Coordenadora de Fisioterapia. “De facto, existe um baixo conhecimento da mais-valia que estes profissionais podem proporcionar aos utentes e às equipas. Para além disso verifica-se uma escassez de fisioterapeutas no CHUC. Existem 24 fisioterapeutas distribuídos pelos vários polos, o que é manifestamente muito reduzido, fator este que também limita a ação da fisioterapia na integração de novas equipas e em novas áreas de intervenção como a Unidade de Reabilitação Cardiorrespiratória, Unidade de Reabilitação Uroginecológica de adultos e pediátrica, para além das áreas mais conhecidas (musculosquelética, neurológica), que funcionam com um número de profissionais inferior às necessidades, condicionando uma prática efetiva.”


A fisioterapeuta conhece de perto a realidade desta área e não tem dúvidas acerca do potencial destes profissionais, “há ainda um grande potencial de crescimento tanto dos fisioterapeutas como da sua integração nas equipas multidisciplinares”, explica Ana Pinho.


Tem também a clara perceção de que os profissionais de fisioterapia têm falta de visibilidade pública e ambicionam melhorar esse aspeto, dando conta da sua aspiração numa perspetiva de futuro. “Esperamos ter a possibilidade de demonstrar a nossa importância e a mais-valia da nossa ação, quer ao nível da melhoria da saúde do utente, quer ao nível do nosso contributo institucional, não esquecendo os ganhos em saúde conseguidos pela ação da intervenção precoce. Torna-se, assim, crucial a aposta na colocação e na integração de fisioterapeutas para que a resposta aos cuidados de saúde seja mais abrangente, para possibilitar a implementação e o desenvolvimento de novas práticas e projetos”, reforça.


Ana Pinho reflete sobre a profissão de fisioterapeuta e fala-nos da “exigência de adaptação constante às diversas situações e, consequentemente, da busca permanente sobre conhecimentos científicos, de modo a dar a melhor resposta às exigências do cidadão atual. Com o progressivo aumento do envelhecimento populacional e com o aumento da prevalência de condições crónicas de saúde surge o desafio de melhorar a qualidade de vida das pessoas.”

Neste sentido, nunca é demais reforçar o papel da fisioterapia na melhoria da qualidade de vida das pessoas, isto é, “o fisioterapeuta terá sempre um papel relevante tanto na manutenção da mobilidade e na melhoria da funcionalidade da população, como no contributo pela humanização da prestação dos cuidados de saúde”, explica-nos Ana Pinho.


Quanto ao futuro da fisioterapia, considera que “é necessário promover o incentivo ao trabalho multidisciplinar e interdisciplinar, através de uma comunicação mais ativa entre os diferentes serviços e profissionais de saúde, para que haja um maior reconhecimento do trabalho do fisioterapeuta e valorização da fisioterapia.”


A Coordenadora de Fisioterapia do CHUC fala-nos, ainda, das suas perspetivas de futuro, tanto relativamente ao seu percurso profissional como no que diz respeito à área da fisioterapia, em concreto, “No futuro manterei a minha prática com o foco na prestação dos melhores cuidados ao doente e no crescimento dos profissionais e da profissão nesta instituição para que sejamos reconhecidos como uma mais-valia. Devemos continuar a evoluir tanto nas vertentes técnicas e científicas como na vertente das competências humanas, já que é o somatório destas características que nos distinguem e, ao mesmo tempo, nos continuarão a permitir a prestação de melhores serviços e cuidados aos utentes que a instituição serve.”


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